O que muda depois do estágio
O mesmo STAR, numa sala diferente
Se você passou por um estágio, já construiu histórias no formato STAR (situação, tarefa, ação, resultado). Elas vieram de um projeto solo, de um grupo de estudos ou de um período com um mentor revisando seu trabalho todo dia. Essa habilidade continua valendo numa entrevista de júnior. Toda resposta ainda segue esse formato. O que muda é a sala que ouve essas histórias, e o tipo de história que ela espera. Uma entrevista de estágio pergunta, em geral, "essa pessoa consegue aprender?" Uma entrevista de júnior, mesmo para a primeira vaga, faz uma pergunta mais difícil. Essa pessoa pode receber uma parte pequena de algo real, dentro de um time, sem alguém checando cada linha antes de ir para produção? Este curso trata das histórias que respondem a essa segunda pergunta.
O que não muda
A mecânica continua a mesma. Você ainda prepara as respostas com antecedência, em vez de compô-las ao vivo. Você ainda abre com uma situação específica, e não com uma generalidade vaga. A Ação ainda é a parte mais longa e detalhada, contada em primeira pessoa. Se algo disso parece instável, revise rapidamente o material de nível estágio antes. Tudo aqui presume que você já sabe montar uma resposta STAR. Este curso trata de quais histórias buscar agora, e de como uma "ação" de time difere de uma ação solo.
O ownership deixa de ser emprestado
Como estagiário, o ownership de uma tarefa costumava ser emprestado. Um mentor atribuía a tarefa, revisava de perto e carregava a responsabilidade se algo desse errado. Como júnior, um ticket é atribuído a você. Um engenheiro sênior ainda vai revisar seu pull request, mas fazer aquilo funcionar em produção começa em você. As perguntas de entrevista mostram essa mudança direto. Em vez de "me conte sobre um projeto que você construiu", você vai ouvir "me conte sobre uma funcionalidade que você entregou". Também pode ouvir "me conte sobre um bug pelo qual você era responsável". A palavra "responsável" pesa nessa frase. Sua história deve mostrar que você sentiu esse peso, além de ter terminado uma tarefa.
O ciclo de feedback se inverte
Durante um estágio, o feedback flui quase sempre numa direção. Um mentor revisa seu código e diz o que mudar. Como júnior, você continua recebendo esse feedback, muitas vezes bastante no início. Também passa a ter que devolver um pouco. Você pode apontar algo confuso no pull request de um colega, ou fazer uma pergunta de esclarecimento numa discussão de design. Às vezes discorda com jeito quando uma abordagem parece errada. Entrevistadores perguntam sobre isso diretamente. "Me conte sobre uma vez em que discordou de um engenheiro mais sênior" é uma pergunta voltada para júniores. Ela testa se você sustenta uma opinião técnica sem ceder na hora nem ficar na defensiva. As aulas 3 e 4 constroem essa habilidade em profundidade.
Sua voz passa a contar na sala
A opinião de um estagiário num standup ou numa reunião de planejamento costuma ser tratada como opcional. As pessoas gostam de ouvir, mas nada depende dela. A opinião de um júnior passa a contar, mesmo de um jeito pequeno. Se você diz que um ticket leva dois dias e ele leva cinco, isso afeta a sprint. Se você aponta um risco numa discussão de design e acerta, as pessoas lembram. Entrevistadores investigam isso com perguntas como "me conte sobre uma vez em que sua opinião mudou uma decisão". Outra comum é "me conte sobre uma vez em que teve que dizer não a um prazo". Não são perguntas-armadilha sobre confiança. Elas checam se você entende que sua voz agora tem peso, mesmo no seu nível.
A régua técnica fica atrás do mesmo formato de pergunta
Uma pergunta comportamental pode soar idêntica numa entrevista de estágio e numa de júnior. "Me conte sobre uma vez em que ficou travado" é um bom exemplo. A régua por trás dela muda de lugar, porém. Para um estagiário, uma boa resposta pode ser se destravar sozinho num projeto pessoal depois de dois dias. Para um júnior, o entrevistador quer saber se você sabe quando escalar. Você passou três dias travado em silêncio em algo que uma mensagem de cinco minutos no Slack resolveria? O critério de quando pedir ajuda pesa mais do que se destravar sozinho, e a aula 5 trata disso. Times não querem um júnior que nunca pede ajuda. Também não querem um que pede antes de tentar qualquer coisa. As histórias deste curso devem mostrar esse julgamento junto com a persistência.
Novos formatos de pergunta que você vai ouvir agora
Algumas perguntas aparecem no nível júnior e raramente numa entrevista de estágio:
"Me conte sobre dar feedback no código de um colega". "Me explique como você comentaria num pull request do qual discordou". "Me conte sobre um incidente ou um bug que chegou em produção". "Como você se mantém sincronizado com um time em outro fuso horário?"
Nenhuma delas tem um equivalente claro no nível estágio. Cada uma presume que você já esteve dentro do fluxo de trabalho diário de um time, mesmo que por pouco tempo. Pode ter sido um projeto de curso com repositório compartilhado, uma contribuição open-source ou o próprio estágio.
Uma autoavaliação rápida
Antes de seguir, seja honesto sobre onde você está. Você tem uma história de discordância de um time real, ou só uma mais antiga de grupo de estudos? Você já deixou um comentário no pull request de outra pessoa? Consegue descrever um erro, com calma, em menos de um minuto? Se alguma resposta honesta for não, as próximas seis aulas servem para isso. Você não vai inventar respostas. Vai descobrir que já tem mais material do que imagina, assim que souber o que procurar.
Para onde este curso vai
A aula 2 cobre histórias de equipe vindas de um time real, além de projetos solo ou grupos de estudos. Ela trata de discordância, colaboração e de assumir a frente quando outra pessoa estava travada. A aula 3 mostra como receber feedback sem ficar na defensiva e dar feedback sem ser duro, já que as duas direções agora valem para você. A aula 4 cobre as perguntas que entrevistadores fazem sobre cultura de code review, mais a mecânica de git e pull request por trás de boas respostas. A aula 5 trata de comunicação remota em inglês: escrita assíncrona, standups e pedidos de ajuda entre fusos horários. Ela inclui uma parte sobre entrevistar a partir do Brasil. A aula 6 encara erros e incidentes, incluindo a distância entre esconder um erro e assumi-lo em voz alta. A aula 7 conduz uma rodada comportamental completa do início ao fim, para você entrar já tendo ouvido cada formato de pergunta uma vez.
Você já tem material para isso. Se terminou um estágio, já participou de standups e já teve um pull request revisado. Provavelmente já foi quem notou um bug que ninguém mais viu. As histórias existem. Este curso ajuda você a reconhecer quais delas respondem a uma pergunta de nível júnior, e a construir as duas ou três que ainda faltam.
Continue com a aula 2
Histórias de equipe que funcionam
Constrói histórias de discordância, colaboração e iniciativa vindas de um time real, e liga cada uma à pergunta certa.
Com uma conta grátis você também tem os quizzes, seu progresso e suas anotações, e a discussão.